07/05/2013

Um estranho ser





Ela era familiarizada com armas curtas como aquela, mas sempre preferiu a lança e seu longo alcance. No entanto, sua vantagem no alcance se mostrava tão inútil quando as investidas do ser com a espada. Isso se dava porque a criatura se cobria com algo muito mais duro que couro por todo o corpo. “Metal” ela sabia. Segurou firme a haste da lança e mais uma vez investiu com estocadas tentando acertar as juntas despidas de armadura, mas dessa vez foi parada por um grande escudo de madeira. Ele tentava se comunicar, mas num idioma estranho a ela. Encontrara-o durante a caçada; tinha uma aparência semelhante à sua e de suas irmãs da tribo, mas estava longe de ser igual. Os traços de seu rosto eram duros como pedra, e sua forma não era nada elegante. Além disso exalava um odor muito mais forte e estranho.
A batalha perdurou minutos a fio em que nenhum dos dois conseguisse um ataque efetivo que pudesse desempatar a situação. Cansaço e tensão foi o que levou o ser a abandonar sua espada e investir apenas com o escudo para cima dela. Tomada pelo espanto perante a reação inesperada, ela instintivamente golpeou com a lança, apenas raspando no ombro da criatura que protegia o rosto com o escudo. Caíram os dois, com ela  dominada no chão pelo grande peso, enquanto ele gritava coisas sem sentido.
Então um leve zunido soou no ar, seguido de um hurro de dor do ser quando uma lança de arremesso atravessou sua perna. Ela rapidamente se livrou de seu inimigo e acabou por rendê-lo com sua própria lança, olhando furtivamente para os lados, procurando sinal do intruso.
            – Raksha! – ela ouviu chamar, de uma silhueta que saía da mata fechada.
            – Mãe!? – Raksha notou – o que faz aqui?
            – Eu senti que sua demora não poderia ser algo bom, mas nunca poderia imaginar que haveria a mão deste homem maldito nessa história.
            – Você o conhece? Isto? – Raksha perguntou intrigada.
            – Ele  é  uma  falha  minha,  naquele  tempo  eu  não  tive  capacidade  de  matá-lo. – a mãe de Raksha refletiu – É o seu pai...
            – Pai? – Raksha começava a irritar-se com a mãe – O que quer dizer? O que é ‘Pai’?
            – Não importa, – respondeu sua mãe – mate-o.
            Raksha  hesitou  Encarou  a  mãe  por  alguns  segundos,  então  virou-se  para  o  homem  que bradava o que pareciam insultos e desavenças à  mulher e enterrou a  lança em seu pescoço, acabando com sua vida e concluindo o serviço malfeito de sua mãe.

Contos Inacabados
 

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